quinta-feira, 5 de agosto de 2010

     Este é o cenário: roupas espalhadas por todo o chão do quarto, molduras caídas em cima do móvel, o pó voa pelas mesas de cabeceira, a guitarra está fora do lugar habitual e as persianas estão totalmente fechadas. E eu, onde me encontro? Encostada à barra de madeira da cama, por cima dos lençóis, lá estava. Um ser completamente aterrado, nem me reconhecia. Aguardava inevitavelmente por um sinal teu! Como sempre. 
Orgulho-me tanto por ter sido forte o suficiente para lutar a favor de um novo começo. 
     Finalmente, chegou o teu sinal e eu só me senti morrer por dentro. Foi como se o meu cérebro tivesse uma descarga de sentimentos. Bastaram uns ínfimos segundos para soltar tudo aquilo que tanto sofrimento me tinha causado durante meses e meses e que eu havia acumulado. Naquele momento, morri. Mesmo. Mas que bem que me soube morrer desta forma. Se for sempre assim, mata-me todos os dias.

Com muito muito amor, 
tua Bé.

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