sexta-feira, 30 de abril de 2010


Estamos ambos sozinhos. Podiamos estar sozinhos juntos. Eu não me sinto bem. Eu não me sinto suficientemente boa para ti. Eu não me sinto suficientemente competente para te fazer feliz. Eu não sei como ser quem tu queres que eu seja nem sei se preciso de mudar para te impressionar. A única forma que conheço de viver é seguindo os meus padrões, mas eu estou a tentar aprender as tuas regras, juro que estou.
Esperava que entendesses.

R.
&hearts

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Numa praia onde tanto faz que caminhes para a direita como para a esquerda, numa praia onde tanto faz que caminhes despido como agasalhado, numa praia onde tanto faz que chores como saltes de alegria, numa praia assim, numa praia inventada na minha cabeça, o teu nome é Salvador. Nessa praia onde tanto faz que caminhes para a direita como para a esquerda, onde tanto faz que caminhes despido como agasalhado, onde tanto faz que chores como saltes de alegria, nessa praia inventada na minha cabeça, somos só dois: eu e tu; eu e o mar; eu e a areia; eu e o vento; eu e eu; nós os dois.
Ali vens, ali mesmo! Já vejo o teu cabelo relativamente comprido perder-se por entre as descargas de fumo que abandonam o meu cigarro, em passo de corrida, para ir ao teu encontro. A bolsa que trazes presa à cintura está prestes a cair. Segura-la com a mão esquerda ao mesmo tempo que a direita abre o fecho do bolso onde guardas, habitualmente, o isqueiro. Tiras o isqueiro e acendes um cigarro. Mas porque caminhas tanto e nunca chegas até mim? Cada bafejo de fumo que sai da tua boca vem agora ter comigo e enriça-me a pele. À medida que levantas o braço contrário ao da mão com que seguras o cigarro, enquanto aprecio todos os teus músculos em contracção e cada movimento que fazes, desde o mais ínfimo ao que nunca conseguirias disfarçar, consigo prever o que se segue. E claro, estava certa. Abanas o cabelo, direccionando-o, meio que violentamente, para o lado esquerdo da nuca, mas depressa volta ao seu lugar habitual. Como tu és bonito. Mas porque caminhas tanto e nunca chegas até mim? Aproximas-te, mas não me tocas; Insinuas, mas nada mostras; Atrais, mas não te entregas. Afinal, que queres tu de mim, Salvador? A satisfação das pulsações, o bombear desenfreado do coração são retardados até ao momento em que a realidade permite satisfazê-los com um máximo de prazer e um mínimo de consequências negativas: um beijo. Um simples beijo na cara. Espero que a sensibilidade dos teus lábios em contacto com a minha pele desgrenhada tenha sido suficiente para alcançares o mais profundo do meu ser onde só mesmo tu podes chegar.
São horas de regressar. A praia fica agora deserta.

R.
&hearts